Ciúme de você

Ciúmes de você

Algumas pessoas adorariam vencer o ciúme. Sei de uma pessoa que sofre a cada vez que o celular do namorado toca. E de vez em quando, na ausência dele, checava as ligações feitas e recebidas. Finalmente um dia foi flagrada. A partir daí ele vive apagando os números.

- Porque você faz isso? Ele já te traiu alguma vez?

- Nunca.

O ciúme é uma terrível paixão da alma e coloca aquele que sofre em posição de passividade. O que é processado psiquicamente naquele que sofre? Ressentimento de relações passadas? Que tipo de casal os pais formavam? Um dos pais foi infiel? E o outro? Reagia pela constatação de uma traição ou por uma fantasia?

O ciúme é um sentimento arcaico. Retorna ao terror infantil em ser abandonado por um dos pais. Na vida adulta o ciúme assinala o medo de perder algo que irá abalar a integridade psíquica fazendo com que a pessoa tenha sempre a necessidade de uma segurança ou certeza nas relações. O ciúme aparece como sintoma de um acontecimento não assimilado do período da infância. Pode ser a infidelidade de um dos pais. Sobretudo se a criança foi testemunha de uma traição ou observadora da dor de um dos pais. O nascimento de um irmão pode também desencadear um processo doloroso de desapego.

Algumas vezes o ciúme também resulta de um desejo pessoal de ser infiel que é então projetado sobre o outro. Se o ciumento possuir uma conduta habitualmente infiel nas relações, talvez tema que o parceiro aja como ele mesmo um dia agiu. Em todo caso o ciúme poderá aparecer como uma autopunição que a pessoa se inflige.

O ciumento consegue amar de verdade. Sua questão aponta para o medo inconsciente de uma perda, pois amor nesse caso rima com abandono. É comum na infância perder alguém que lhe é caro. Alguém que desapareceu radicalmente sem qualquer explicação.

Ciúme gera angústia e medo. Medo de que aquela pessoa desapareça. Medo de parar de existir quando se está longe. Medo de que não volte mais.

Outro dia assisti uma palestra de um Doutor em psicanálise que dizia: “Na ameaça do abandono o homem diz à mulher: Se você for embora eu te mato. A mulher, por sua vez, na iminência de ser abandonada pelo homem diz: Se você for embora eu me mato.”

Analisar a própria angústia parece ser uma boa solução para ultrapassar esse tipo de problema.

 

Depressão no Natal

A época do Natal é considerada como um momento de alegria e esperança. No entanto para muitas pessoas pode ser uma época bastante difícil emocionalmente porque vem acompanhada por sentimentos de solidão, desamparo e profundo desânimo. É chamada de depressão de Natal porque se manifesta nessa época específica. Algumas pessoas dizem que não gostam desse período, ficam confusas com toda a movimentação do comércio, que preferem ficar em casa e não sabem explicar muito bem o que sentem. Esse sentimento é muito frequente quando se faz um balanço da própria vida e criam-se expectativas em relação ao próximo ano.

A reunião de Natal, a comemoração, pode até mesmo se transformar em um momento tumultuado principalmente se alguma das pessoas presentes teve uma experiência difícil e ainda não superou. É comum  narrarem que no meio da noite de Natal saiu uma briga por um motivo sem importância ou que não lembram muito bem do motivo. Portanto, algo já não ia bem anterior à data.

Cada pessoa tem o seu próprio motivo para ter uma depressão. No entanto alguns fatores podem fazer com que o quadro evolua. O aumento do stress e da fadiga nessa época é um deles. As pessoas ficam sobrecarregadas nesse período. Às vezes por conta de várias comemorações ou mesmo pelos votos de Feliz Natal, quando encontra um conhecido na rua por exemplo, pode ser motivo suficiente para que não se sinta bem. Vai depender do estágio da depressão e da vulnerabilidade da pessoa.

Existem também outros fatores que podem intensificar uma depressão como a dificuldade em estar com a família pela distância ou por conta do falecimento de algum parente próximo e não se consegue suportar o convívio com os demais familiares porque faz lembrar os momentos passados juntos. Enfim, os motivos podem ser diversos.  

A depressão de Natal possui os mesmos sintomas de uma depressão comum. Uma sensação de aperto no peito, um sentimento de melancolia, tristeza profunda e crises de choro. Também podem surgir alterações no sono. A pessoa não consegue sair da cama porque dorme o dia inteiro ou fica deitada na cama mesmo sem dormir. Ou ao contrário disso, tem longas noites de insônia. Podem também aparecer alterações alimentares comendo muito por conta da ansiedade ou parando de comer. Sentimentos de culpa também são bastante frequentes em relação à pessoas que não estão presentes seja por qualquer motivo. As pessoas que sofrem com a depressão afirmam “eu deveria ter dito que gostava muito dele ou eu deveria ter feito isso ou aquilo” ou então “ah, depois que fulano morreu eu nunca mais comemorei o Natal”. Essas afirmações traduzem um sentimento de culpa. Como se a ausência do outro fosse impedimento para algum tipo de sentimento de alegria ou festividade. Saudade é um sentimento que não é necessariamente negativo. Sentimento de culpa é muito diferente. 

Na vida profissional muitas vezes carrega-se culpa em relação à negócios ou planos não concretizados e que, na verdade, vem sendo adiados por muitos anos. É o sentimento da expectativa não realizada. O ano está terminando e a pessoa tem a impressão que não conseguiu grandes realizações ou que as pendências vão continuar como pendências para o próximo ano. Ainda que seja um curso de inglês ou uma programação para estudar para determinado concurso ou pós graduação. O que quer que seja não se consegue realizar, o projeto vai sendo empurrado para o ano seguinte, a situação se repete, a vida continua do mesmo jeito e isso gera um forte sentimento de angústia, fracasso e tende à fazer com que se sinta infeliz ou depressiva.

Depressão não tem idade. Vai depender da maneira como a pessoa se coloca frente à vida, às dificuldades e às próprias limitações e, principalmente, solucionando as próprias questões quando forem surgindo. Eu costumo dizer que a pasta de pendências na nossa vida tem que estar quase vazia. Vazia, nunca vai estar mesmo e nem é para estar, mas com as situações, no mínimo, encaminhadas para uma solução. 

Certamente as limitações não se impoem na nossa vida somente por conta da idade. Existem adolescentes profundamente depressivos e idosos com mais de 80 anos com uma postura bastante positiva frente à vida. Tudo isso depende das experiências de cada um, a maneira como as questões são enfrentadas e não adiadas o que frequentemente se faz. No caso de um idoso com histórico de depressão anterior ao período do Natal  é importante que sempre haja alguém com ele nessa época porque muitas vezes eles não falam de seu sofrimento. Sofrem calados porque acreditam que ninguém vai entende-los.

Enfim, o que fazer para que essa data não se torne um momento de tristeza, sofrimento e depressão?

Em primeiro lugar, entendendo que o Natal é uma comemoração cristã que representa o aniversário do Messias que era esperado segundo a história e a tradição bíblica marcando a data de 25 de dezembro para a comemoração de seu nascimento. Além desse fato, tudo o mais que envolve a situação individual, o sofrimento psíquico, a culpa, as dores, o luto devem ser resolvidos em outro momento, ao longo do ano. O Natal não é a representação da angústia ou da depressão. A questão é que a data envolve diversos fatores na vida de cada um. O nascimento ou a crucificação de Jesus não é causa de sofrimento psíquico na vida de alguém. É causa de reflexão individual e, se quisermos estender um pouco mais esse assunto, a idéia do nascimento pode ser colocada como uma oportunidade, um começo para que as questões pessoais sejam resolvidas e parem de ser adiadas.

Infelizmente utiliza-se a data como um escape atribuindo esse outro significado. De tristeza e solidão. O próprio catolicismo comemora a data com muita alegria. O ideal seria que a pessoa, depois do Natal ou  Ano Novo, quando também ocorrem sentimentos muito similares aos do Natal, lembrasse da angústia, do pesar ou da depressão que sentiu no período e fosse tratar as questões com uma terapia. Essa é a medida adequada.

É importante a participação da família no sentido de estar presente na vida da pessoa não necessariamente na festividade. Esse é o correto entendimento em relação à alguém que sofre com a depressão. Isso deve ser respeitado e, principalmente, de forma alguma, forçar a pessoa à comemorar se ela não se sente bem e nem falar coisas do tipo “deixa isso prá lá”, “o que passou, passou”, “sai dessa”, “Vamos comemorar, que passa”….coisas assim. Ou então, que pode ser  considerado ainda pior, fazer comparações com pessoas em situações muito desfavoráveis ou em desgraça do tipo “ah, você está bem, tem gente pior, internada em hospital, você está reclamando à toa”. Expressões desse tipo devem ser evitadas pois podem agravar a depressão. Cada um sabe do seu próprio sofrimento. E sofrimento psíquico não se quantifica, não se qualifica, não se compara. Cada um sabe de si, do que está passando e isso deve ser respeitado. Acredito que quando não se respeita o sofrimento psíquico de alguém o quadro pode se intensificar.  Alternativas do tipo comprar muito, beber muito, tomar sonífero ou qualquer outra escapatória temporária não resolve  o problema.  A psicologia não tem medidas paliativas. Fazer um tratamento psicológico representa dizer que a causa do sofrimento psíquico será investigada. Isso sim é importante.

 

 

Roer as unhas

 

“Minha irmã tem 25 anos e rói as unhas até sangrar. O que devo fazer para ajudá-la?”

Esse hábito geralmente acontece no período da infância ou adolescência, mas pode também iniciar na fase adulta. Seja em qualquer período da vida roer as unhas compulsivamente é considerada uma patologia pelo catálogo internacional de doenças. Além disso, está diretamente ligada à ansiedade, aparecimento de pensamentos invasivos (aqueles que surgem do nada e não se consegue controlar) e também pelo medo (fobia) levando a executar o ato de forma repetida e descontrolada ocasionando sangramentos e infecções. Alguns casos impossibilitam o uso das mãos por determinado tempo.

Em geral adota-se um comportamento padronizado olhando seriamente para as unhas, apoiando o queixo sobre a mão e batendo os dedos nos dentes da frente, mas subitamente perdem o controle e voltam a colocar os dedos na boca roendo as unhas, cutículas, laterais e digitais dos dedos.

Repreender a pessoa que rói as unhas não tem efeito duradouro. Ela obedece, mas algum tempo depois recomeça o processo.

Não há um tratamento específico para deixar de roer as unhas. A utilização de pimenta nas unhas, esmaltes com gosto ruim, protetores de borracha para os dedos ou luvas amenizam somente a situação dos dedos. O fato é que existe uma fixação oral e  diante da impossibilidade de roer as unhas das mãos não é incomum que passe a roer as unhas dos pés, mastigar pontas de lápis, caneta, giz, cantos dos lábios e laterais internas da boca. Há um deslocamento de objeto que será levado à boca.

A questão revela uma forte tensão ou trauma psicológico causado pela idéia ou vivência real de uma situação violenta ou ameaçadora. Levar em conta que uma situação angustiante é o que ocasiona a ação é a estratégia mais eficaz para solucionar esse problema. Procure um psicólogo.

O Natal e a compulsão por comprar

Muitas pessoas tem uma alegria particularmente intensa nessa época do ano. O Natal carrega o símbolo da esperança, da união, da celebração e também….do consumo exagerado!

Por conta do forte apelo comercial muitos reagem de forma inesperada. Ainda que tenham dificuldades financeiras continuam comprando sem pensar nos sérios desdobramentos que o ato compulsivo pode acarretar. Além de aumentar o comprometimento financeiro, a compulsão por compras continua por todo o ano que segue. Em determinado momento o processo é interrompido pelo acúmulo de dívidas. Esse comportamento é uma doença e se chama oneomania. Mas o que causa isso?

A oneomania é uma patologia psíquica do grupo das compulsões. Nesse caso é a compulsão por compras. A pessoa sofre uma tensão psíquica e o que ela sente, à nível consciente, é um desejo incontrolável por comprar. Como solução ela vai em busca desse prazer para descarregar a tensão e, consequentemente, sente o alívio proporcionado pelo ato, ou seja, pela compra. É uma forma de sentir prazer na ação de comprar. Mas após algum tempo a tensão retorna e a pessoa age da mesma forma. Comprando. É um ciclo interno de tensão e prazer criando assim, uma dependência. É a dependência sem drogas.

A doença se manifesta por um comportamento de repetição e dependência. É claro que todos nós sentimos prazer e alegria na aquisição de um objeto. Uma roupa, um carro, o que quer que seja. No entanto em algumas pessoas esse comportamento se transforma em modo de vida. Agem assim de forma constante. Então passam a comprar indiscriminadamente qualquer coisa. Muitas vezes desviam o dinheiro reservado para determinados fins como, por exemplo, pagar o condomínio ou o colégio dos filhos para comprar algo, possivelmente desnecessário, e saciar o impulso incontrolável que sentem. Vão em busca do prazer gerado pela compra. Algumas pessoas possuem enormes dívidas de vários cartões de crédito.

São inúmeros os motivos que podem conduzir à esse padrão de comportamento. Uma sensação de infelicidade sem motivo aparente, um vazio existencial, sentimento de frustração, depressão ou um luto de muitos anos que não termina. O motivo do comportamento é a questão principal à ser descoberta e tratada. A oneomania é a saída que a pessoa encontrou para sua dor, mas poderia ter sido pelas drogas ou qualquer outra forma de dependência. Tempos atrás quando se falava em dependência imediatamente pensava-se em drogas, ou seja, na toxicodependência. A oneomania é uma doença do grupo das “toxicomanias sem drogas”. O que a pessoa deseja é que aquilo lhe traga alívio do sofrimento e prazer.

A oneomania é uma patologia da atualidade, mas é possível perceber que a doença atinge principalmente as mulheres. No caso das crianças ainda não há dados, mas podemos entender as consequências da doença da seguinte forma. Vivemos em uma sociedade de consumo imediato com a falsa promessa de felicidade. Se dentro do ambiente familiar o comportamento habitual é o de comprar compulsivamente, então esse é o modelo que a criança possui. E, portanto, ela vai repetir esse padrão para aliviar uma inevitável tristeza ou frustração que surgir em sua vida. Mas é importante destacar que como qualquer patologia psíquica, a oneomania é uma doença que se agrava com o tempo quando não há o tratamento adequado.

A oneomania é tratada da mesma forma que as outras dependências. Com psicoterapia. Em alguns casos um ansiolítico, antidepressivo ou antipsicótico, em casos mais graves e sempre prescrito por um médico, pode servir de coadjuvante ao tratamento psicológico.

Os altos e baixos do bipolar

A mídia cria tabelas e testes para descrever a maioria das patologias psíquicas e as pessoas se diagnosticam por conta própria acreditando serem portadoras de determinado distúrbio ou transtorno. Procuram o psicólogo já rotuladas quando muitas vezes não chegam de fato à ter a doença.

O transtorno bipolar não afeta somente o paciente. Afeta a família, os amigos e todos aqueles que o cerca. Leva à modificações extremas de comportamento, energia e sono em um mesmo dia. Não há uma linha de divisão que marque a diferença do transtorno bipolar de uma alteração de humor. A intensidade, a instabilidade emocional, a frequencia e a duração das variações de comportamento podem caracterizar o transtorno. Às vezes a pessoa fica irreconhecível com o novo comportamento. Por vários motivos o auto diagnóstico é impossível.

Durante muito tempo o transtorno bipolar foi entendido como alteração do humor. Atualmente o foco concentra-se no modo de vida do paciente quando apresenta episódios depressivos alternando com episódios de grande excitabilidade.

O número de pacientes bipolares vem aumentando consideravelmente. Talvez pelo estilo de vida ou pelo diagnóstico equivocado feito pela mídia de maneira informal. Se pensarmos o transtorno bipolar como uma desordem do humor o índice se eleva tendo em vista que seria impossível manter o mesmo humor desde o acordar até o final do dia e estar imune à avalanche de informações acontecendo em toda a sociedade. Nesse caso o efeito da mídia também é considerável.

O índice em crianças e adolescentes também aumentou nos últimos 20 anos, mas há de ter um cuidado redobrado em relação ao diagnóstico para não cair no erro de tratar uma criança que brinca sem cansar a maior parte do tempo como um caso de  excitabilidade ou hiperatividade. O índice em crianças e adolescentes é a metade do número de casos em adultos. Nas mulheres as alterações são frequentemente confundidas com TPM. Stress, traumas intensos e conflitos emocionais são fatores que podem desencadear o transtorno tanto em adultos como em crianças e adolescentes. A diferença está no fato de que nos adultos a depressão aparece com mais frequencia enquanto que nas crianças e nos jovens aparece  grande excitabilidade e tristeza súbita com crises de choro sem motivo aparente.

As inevitáveis alterações na vida do bipolar são expressas para traduzir um mal estar que não pode ser dito de outra forma. No tratamento psicanalítico essas perturbações encontram sentido com a elaboração psíquica e entendimento de todos os sintomas que a pessoa apesenta.

Sou gay, mas não assumo

 

“Não sei o que acontece comigo. Tenho 27 anos, sinto atração por homens e nunca tive uma relação afetiva. Meus poucos contatos foram relações sexuais sem compromisso com homens casados que se auto definem “heteros”. Eu tenho um sério problema com esse assunto pois não me vejo como gay, não me identifico com os gays, não tenho amigos gays e nem frequento o meio GLS. Minhas relações de amizade são mulheres heterossexuais. Eu sinto atração apenas por homens heterossexuais e gosto de frequentar o meio hetero. Por mais esforço que eu faça, não consigo me sentir atraído por homossexuais.Quando vejo um gay me paquerando, eu sinto asco (perdão se soou homofóbico). Em média a cada 3 meses me apaixono por um homem diferente e todos são heterossexuais. Não faço de propósito, afinal a gente não escolhe por quem se apaixona.Não sei o que ocorre, mas a personalidade, a postura e muitas vezes a aparência do homem heterossexual me desperta interesse.Nem os gays mais másculos e viris me despertam dessa forma. Assisti filme pornô homossexual e tive nojo em ver  dois homens se agarrando.
Fiz análise para tentar me entender, mas me senti pior. Sinto-me solitário. Sinto falta de um parceiro amoroso com quem eu possa compartilhar minha vida.
Penso seriamente em fazer voto de abstinência (castidade) e desistir de me relacionar com homens, pois estou há quase 4 anos sem ter contatos homossexuais. Esse assunto está tirando minha paz a ponto de pensar em me matar. Não sei se teria coragem, mas pensamentos suicidas me rondam todos os dias. O que poderia estar se passando comigo?”

A questão da sua opção sexual é bastante complexa porque ao mesmo tempo em que sente atração por alguém do mesmo sexo, você rejeita o fato de ser homossexual e se identifica com as mulheres heterossexuais. Mulheres que supostamente se relacionam com homens heterossexuais.

Não há necessidade de se “esforçar” para se sentir atraído por homossexuais. As suas escolhas são naturalmente certeiras e pontuais, ou seja, todos os possíveis heteros que você se relaciona são na verdade homossexuais que, como você, rejeitam esse fato, ainda que sejam casados com alguém do sexo oposto. Tanto você quanto o parceiro “hetero” rejeitam a própria homossexualidade. E, ao contrário do que você imagina, sim, a gente escolhe por quem vai se apaixonar e isso você vem fazendo pela repetição de um mesmo padrão. Escolhendo homossexuais que se comportam como heterossexuais. Da mesma forma que você.

A depressão, a distimia e a ideação suicida fazem parte de um quadro de sofrimento psíquico e entrarão em remissão na medida em que você entender os seus processos psicológicos, o seu mundo interno.

Não entendo como uma psicanálise possa ter feito você piorar. Talvez o confronto com a sua realidade tenha lhe trazido algum sofrimento, mas existem momentos no percurso analítico em que surge um certo desconforto porque o analista tem que lançar uma luz sobre a verdade do paciente. Sem máscaras. Apresentando à você o que é exclusivamente seu e estava encoberto. Procure um psicanalista e defina essa situação.

Você aceita uma crítica “construtiva”?

Pelo menos uma vez na vida já ouvimos alguem nos fazer essa infeliz pergunta. Em geral quem se prontifica a fazê-la não foi convidado à isso ou nunca fez algo de destaque seja em qualquer área. É sempre a mesma coisa. “Posso fazer uma crítica construtiva? Estou falando isso porque eu gosto muito de você e acho que tem condições de fazer melhor.” E sem que nos seja dado tempo para responder ele manda a crítica sem pensar no que isso pode acarretar.

Como reconhecer uma crítica “construtiva” ou se você está sendo alvo de ataque, controle ou provocação?  É possível que aquilo seja útil, mas antes você deve identificar a proveniência da crítica. Se você é como eu e consegue sustentar uma crítica aprenda a identificar se aquilo tem valor construtivo ou não.

* Crítica de um estranho.
Você está conversando com um amigo na fila do cinema ou no restaurante sobre trabalho, projeto, relação amorosa e vem um desconhecido ou alguém que você não vê  há muito tempo e resolve expor a própria opinião. É bem provável que não seja um elogio e sim o que ele faria no seu lugar. Revela uma necessidade de controle e auto afirmação.

* Crítica no momento em que você fracassa.
Esse momento tão delicado exige respeito redobrado daqueles que o cerca. Seja porque foi demitido do trabalho ou porque a namorada terminou com você o momento é de sofrimento. Então vem o crítico com aquelas máximas “eu não te falei para fazer daquele jeito?” “mas eu te avisei” ou “eu achava que ela estava te traindo, você não ouviu.” Pessoas que aproveitam um momento de infelicidade para lançar culpa sobre você, não são merecedoras de atenção. Revela um prazer sádico.

*Crítica do pessimista.                                                                                            Ele faz mil planos e não consegue concretizar o menor deles. A vida é estanque. Anos se passam e ele continua do mesmo jeito, fazendo as mesmas coisas rotineiramente. Tem medo que algo possa dar errado. Na ponta da língua tem sempre as expressões “não”, “nunca”, “impossível”, “é difícil”, “Não deu certo? Pelo menos você se livrou disso”. E adora dar opinião desestimulante revelando um modo de vida defensivo se protegendo dos perigos do mundo. Pessoas assim possuem baixa tolerância à frustrações e querem que você seja como elas sem assumir riscos na vida.

Enfim como saber quando a crítica vai realmente lhe ajudar?

A crítica pode ser paralisante e impede a realização de coisas valiosas para si e até mesmo (porque não dizer?) para o mundo. Considerando alguns aspectos simples você pode aprender a lidar com os críticos de plantão. A crítica deve vir de alguém de suas relações e que um dia vibrou quando você anunciou uma realização, por menor que tenha sido, a qual ela desconhecia.

Outro fator importante a ser considerado é que alguns amigos tem valor social. São ótimos e divertidos para ir à balada, à praia, viajar, mas não para opinar. Sabe aquele que critica todo mundo inclusive os estranhos na rua? Pois é. Desconsidere qualquer opinião proveniente dele.

A crítica construtiva deve aprimorar, acrescentar algo de valor ao que você tem em mente ou em andamento. Uma crítica não pode ser paralisante no sentido de fazer você desistir do seu ideal. Ela deve agregar algo bom ou apresentar uma alternativa para você.
E, o mais importante, seja o último a definir o que fazer ou como agir. Nada pior do que culpar o outro por alguma coisa não ter dado certo. Assuma integralmente a responsabilidade de tudo e seja o seu próprio crítico. Ouça o que as pessoas tem para dizer, ainda que você não tenha solicitado, veja como os outros fazem, mas tenha em mente que o melhor juiz é sempre você. Se não sair como idealizado não irá culpar ninguém. A responsabilidade é sua e pronto. Você vai sobreviver. Em contrapartida se der certo o mérito é todo seu! Portanto, vá em frente!

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