Mea culpa

Mea culpa“Sinto-me sempre culpado. Não passo muito tempo com as minhas filhas adolescentes. Minha mulher diz que sou ótimo marido e pai, mas sei o quanto me esforço para deixá-las felizes. Meu pai morreu há pouco tempo e agora minha mãe vive sozinha. Tenho vontade de chamá-la para morar conosco para ter certeza de que está bem, pois acho que precisa de mim. Trabalho no mercado financeiro e o ritmo do meu trabalho me deixa sob constante pressão, pois é um ambiente altamente competitivo e estressante. Decidi fazer ginástica 2 vezes por semana, mas me sinto culpado por não estar dedicando esse tempo às pessoas que precisam de mim. Me sinto péssimo.”

Tendo em vista o ritmo acelerado da vida moderna, muitas famílias se confrontam com o triste fim do entrosamento entre seus membros. Seja por discussões acaloradas ou pelo silêncio o que encontramos atualmente é a incapacidade de dedicar um tempo à família e manter o equilíbrio dentro da vida doméstica.

À primeira vista a sua narrativa pode ser entendida sob esse prisma. No entanto, você traz à luz uma forte crença de que pode proporcionar felicidade preenchendo as lacunas dos que o cercam. Uma atitude emocional carregada de culpa e a vontade de exercer o poder disfarçam o desejo de manter tudo (e todos) sob controle gerando ansiedade e fazendo você acreditar que não consegue “dar conta” de toda a situação. Isso aponta para o medo de que algo inesperado aconteça e prejudique o convívio. O meio que você consegue montar essa armadilha é imaginando que pode controlar todos evitando, assim, situações potencialmente dolorosas.

Onipotência traz segurança e nas artimanhas da mente a ânsia de tornar essas pessoas felizes vem acompanhada de um forte sentimento de responsabilidade e preocupação. Fique atento à isso.

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